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O canteiro de obras da hidrelétrica de Belo Monte foi ocupado na madrugada desta quinta-feira (27) por cerca de 600 manifestantes, segundo informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Cerca de 600 indígenas, pescadores e ribeirinhos teriam ocupado o local.
Procurado pelo G1, o Consórcio Construtor de Belo Monte, responsável pelas obras da usina, não confirmou a informação de que o grupo teria entrado no canteiro de obras. Mas, de acordo com o consórcio, os manifestantes estavam, na véspera, em frente a um dos acessos do canteiro.
Na quarta-feira, um pedido de vista da desembargadora Maria do Carmo Cardoso adiou mais uma vez a decisão da Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região sobre a continuidade da construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. O julgamento está empatado, com um voto contra e outro a favor da usina.
O tribunal analisa recurso do Ministério Público Federal no Pará contra decreto de 2005 do Congresso Nacional que autoriza a construção da usina. Os procuradores apontam pressa na aprovação da medida, o que teria impedido consultas obrigatórias às comunidades indígenas atingidas pela obra.
Depois de concluída, a usina de Belo Monte será a segunda maior hidrelétrica do país, atrás somente da binacional Itaipu, e a terceira maior do mundo.
Obra - A hidrelétrica ocupará parte da área de cinco municípios: Altamira, Anapu, Brasil Novo, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu, ao longo de 100 quilômetros do Rio Xingu. Altamira é a mais desenvolvida dessas cidades e tem a maior população, quase 100 mil habitantes, segundo o IBGE. Os demais municípios têm entre 10 mil e 20 mil habitantes.
Belo Monte custará pelo menos R$ 25 bilhões, segundo a Norte Energia. Há estimativas de que o custo chegue a R$ 30 bilhões. Trata-se de uma das maiores obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma das principais bandeiras do governo federal.
Apesar de ter capacidade para gerar 11,2 mil MW de energia, Belo Monte não deve operar com essa potência. Segundo o governo, a potência máxima só pode ser obtida em tempo de cheia. Na seca, a geração pode ficar abaixo de 1 mil MW. A energia média assegurada é de 4,5 mil MW. Para críticos da obra, o custo-benefício não compensa. O governo contesta e afirma que a energia a ser gerada é fundamental para o país.
Outro lado - Em nota, A Norte Energia S.A., empresa responsável pela implantação, construção, operação e manutenção da Usina Hidrelétrica Belo Monte diz que 'causa estranheza que o grupo de manifestantes, em sua maioria arrebanhados em outras regiões, liderado por pessoas movidas por interesses alheios aos nacionais, tenha ocupado uma área privada, resultando em desnecessária conturbação da ordem pública, constrangimento e intimidação aos trabalhadores'.
A Norte Energia disse ainda que 'confia na pronta ação das autoridades no cumprimento da ordem. Nesse sentido, a Exma. Juíza Cristina Collyer Damásio expediu decisão interlocutória, nesta tarde, determinando a imediata desocupação da área e proibindo quaisquer atos de turbação ou esbulho que comprometam o andamento da obra.
A empresa norteia suas ações baseada em compromissos socioambientais em prol do desenvolvimento, propiciando um salto substancial na socioeconomia, gerando empregos, conforto e melhoria de vida de milhares de pessoas da região e do Brasil.